quarta-feira, 18 de novembro de 2009

MELISSA ROSEMBERG FALA SOBRE A SAGA TWILIGHT E COMO SE SENTE FAZENDO PARTE DE TUDO

Grande parte do crédito pelo sucesso do filme deve ser atribuída à roteirista Melissa Rosenberg que reproduziu o romance de Bella e Edward em dimensões maiores que os twi-hards pudessem compreender e apreciar.
O Cinematical recentemente falou com a roteirista Melissa Rosenberg, no dia da conferência de imprensa em LA; além de discutir o processo de formar uma sequência satisfatória, ela falou sobre a decepção universal de submeter Bella a um coração partido, e examinou as lições que o público talvez aprenda através do mais recente capítulo da série.
Houve algum âmago emocional ou algum tema central que guiou você enquanto escrevia Lua Nova, ou você vê isso como um capítulo com uma narrativa mais ampla? O segundo filme de uma trilogia é sempre o mais perigoso, pois você não quer torná-lo apenas uma base para o terceiro filme. Eu estava muito ciente de que eu queria que esse filme fosse independente e há uma história muito autônoma nesse filme. Esse é o momento da mágoa de Bella e a recuperação dessa mágoa, portanto o tema que vem disso é que o que não mata você o torna mais forte. Eu acho que é a evolução da Bella em tornar-se uma pessoa mais forte; quero dizer, cada livro a leva mais longe nesse caminho do descobrimento de si mesma. Então eu acho que esse é o tema autônomo desse filme.
Eu entendo que a representação do comportamento da Bella nesse filme é extremamente fiel a forma que é retratada no livro. Pessoalmente você acredita que é possível simpatizar com ela devido ao fato de que ela se aproveita da amizade com o Jacob após ser completamente devastada por Edward ou sentimos simpatia automaticamente, pois ela é a personagem principal e tudo é contado da perspectiva dela? Uma pessoa nunca deve assumir que um personagem é compreendido por causa do ator que o está interpretando ou fato de que ele é o personagem principal. Na verdade, eu acho que isso é uma receita para o fracasso, pois se ele deixa de ser compreensível, você perde o seu público. Mas eu acredito que a natureza da situação pela qual ela passa é tão universal e ela está tão arrasada que eu acho que você ainda pode compreender porque ela se aproveita do Jacob. Ela está se aproveitando dele antes que perceba que está fazendo isso, e a necessidade dela é muito grande, o que é universal, e não há uma pessoa viva no planeta que não tenha passado ou não irá passar por esse tipo de mágoa. Eu acho que todos nós tivemos isso; eu, infelizmente, tive mais que a maioria, portanto eu pude me relacionar com a essência disso (risos). Mas eu acho que é isso que torna fácil simpatizar com ela – ela está passando pelo que todos nós passamos, e ela não esta se aproveitando do Jacob com malícia.
Você mencionou que se identificou bastante com a Bella nesse filme, mas o quão difícil foi criar um equilíbrio estrutural, ou talvez apenas emocional entre a decepção da Bella e o anseio pelo Edward e a evolução dela para se tornar mais forte? Este foi o desafio deste livro. No livro, ela passa bastante tempo com o coração partido e isso no filme pode ficar um pouco cansativo. Visualmente, você não está particularmente interessado em assistir a alguém deprimido, então você realmente precisa seguir em frente e foi essa a parte que eu mais resumi. Você quer tornar aquilo visual; você quer chegar à parte onde ela vai fazer algo sobre isso. Há o momento de perda e tristeza e aí você quer ir para ‘okay, eu vou fazer algo para mudar isso. Eu mal consigo suportar esse sentimento então eu vou fazer alguma coisa para mudá-lo’. E ela é ativa, então eu quis chegar a isso o mais rápido que eu pude, pois essa também é parte em que começa a ficar visualmente mais interessante.
Em Crepúsculo houve algumas passagens do livro que precisaram ser incrementadas ou reduzidas e colocadas no filme. Você foi encorajada pelo sucesso do filme a diminuir o número de material do livro que talvez fosse difícil de traduzir para as telas, ou houve ainda mais pressão para permanecer fiel ao livro? Na verdade um pouco dos dois. Obviamente, o perfil do segundo filme seria ainda maior que o do primeiro, e no primeiro eu não percebi realmente a coisa grande que isso iria ser. Mas eu soube enquanto lia o livro que eu queria permanecer o mais fiel quanto possível, mas permanecer fiel ao livro não necessariamente significa possuir cenas específicas. Significa levar os personagens à mesma jornada emocional que o livro leva. Essa era a jogada, e eu acho se tornou mais claro para mim conforme eu segui em frente – foi a isso que as pessoas responderam. Na primeira vez no Comic Con, eles mostraram um vídeo de Crepúsculo, e eu percebi que era uma cena que estava no livro, mas não com exatamente as mesmas palavras; não havia me ocorrido sobre isso até que eu estava sentada na platéia com cinco mil pessoas, e eu comecei a ter um ataque de pânico quando eles estavam prestes a mostrar a cena – Oh meu Deus, não é exatamente como no livro! Eles vão me matar! A reposta a cena foi dada com gritos, eles estavam emocionados, e eu percebi que contanto que a cena ou a essência da cena fosse capturada, não precisava ser exatamente o que era no livro. Nem precisa ser próxima, mas você precisa capturar a essência. Por outro lado, em termos de sentir-se livre para tomar liberdades, isso aconteceu apenas porque eu me senti mais confortável escrevendo sobre esses personagens. Eu me senti mais conectada a elas, eu sabia quem os atores eram e eu me senti mais conectada a Stephenie, então eu não estava tão cautelosa, pois eu me senti mais parte daquilo, mais parte de toda a narração da história. Eu tive mais confiança na minha voz, e isso me permitiu tomar algumas liberdades. Mas, novamente, você só precisa permanecer próximo da jornada emocional.
Cris Weitz introduz o filme com um grande senso de produção visual, particularmente em termos da passagem do tempo. O quão específica você foi com esses mecanismos de transição e o quanto disso ele mesmo criou? Por exemplo, os meses que seguem o término da Bella com o Edward são mostrados como páginas em branco no livro, requerendo a você e ele exprimir isso na tela. Eu havia escrito no roteiro, e foi algo que apenas se formou na minha mente com a colaboração dos produtores também, que nós poderíamos exprimir as páginas em branco da passagem do tempo, com apenas uma janela do quarto dela e diferentes imagens do tempo passando, Halloween, Ação de Graças ou Natal, passando atrás dela na janela. Isso estava no roteiro e, é claro, a forma como é isso é na tela foi totalmente determinada pelo Chris; eu não me lembro exatamente o que mais estava lá além desses eventos ocorrendo atrás da janela.
Uma das coisas que se destacou imediatamente em Lua Nova é que ele possui muito mais mitologia do que em Crepúsculo. O quão difícil foi introduzir isso nesse filme e ao mesmo tempo preservar a linha emocional da Bella? E, mais a frente, o quão difícil foi criar um senso de normalidade para que todos os diálogos não fossem exageradamente dramáticos ou até puramente expositores? Bem, a questão sobre a mitologia, há muito a ser expresso, e eu tentei tornar isso o mais visual possível. Por exemplo, toda a história sobre o passado dos Volturi, isso poderia facilmente ter sido mostrado com duas pessoas sentadas num quarto e contando-nos a história, mas Stephenie havia falado sobre essa pintura no livro, na qual nós podemos vê-los, então eu disse, bem porque não entramos na pintura. Vamos deixar isso vir à vida e vamos realmente conhecer essas pessoas e eu acho que Chris realmente fez isso (de certa maneira), foi uma transição bem tênue. Mas esse é o tipo de coisa que você faz num filme, e é sempre um desafio quando você esta falando sobre informação – você precisa transmitir a informação. Essa era uma grande parte para tentar transmitir, toda a mitologia dos Volturi, então foi muito excitante ter essa ideia e ver que ela se realizou lindamente.
A adaptação do próximo livro foi algo no que você pensou enquanto construiu o roteiro deste? Eu sabia que eu precisaria escrever ambos passo a passo. A preocupação do Chris era esse filme, a minha preocupação eram os dois filmes, então eu pus ainda mais mitologia nesse para formar uma estrutura para o próximo. Na verdade foi uma combinação muito boa, pois Chris estava preocupado com esse e ele estava deixando a mitologia de lado, pois isso estava desacelerando o filme. Isso criou alguns desafios para o próximo filme, mas ele fez um excelente trabalho; ele é ótimo em ater-se a essência do que precisa ser mostrado.
Houve algo nesse filme que fez você se sentir particularmente satisfeita em ver na tela, que levou o que você fez e tornou ainda melhor do que você poderia ter imaginado? Bem, definitivamente a pintura é um desses momentos, pois aquilo poderia ocorrer de duas formas. Poderia parecer um desenho ou poderia ser muito nítido, uma ótima forma de transmitir informação. Eu realmente queria apresentar os Volturi cedo, pois eles representam um grande papel no final, então eu fiquei muito satisfeita por ter funcionado. Porque você não sabe enquanto está escrevendo, e isso depende inteiramente do diretor saber se vai funcionar ou não; poderia ser brega, ele pode descartar a idéia ou pode trazer aquilo à vida, e ele lindamente trouxe a vida. E então havia uma coisa na metade do final, novamente com os Volturi. No livro, Edward, Bella e Alice encontram os Volturi e eles talvez saiam ou não vivos dali, mas no livro existe uma conversa muito intensa e longa. Então para mim foi um momento com a Jane atacando o Edward, mas tudo foi resolvido através da conversa. Eu quis externar isso, eu queria que fosse um conflito físico, então inicialmente eu escrevi uma grande luta. A sequência completa teria custado o orçamento de todo o filme, mas com a ajuda da Stephenie, nós diminuímos para uma grande sequência de ação entre Edward e Felix e eu acho que o Chris e os coordenadores de efeitos especiais fizeram uma luta muito persuasiva e interessante. Esse foi o clímax do filme inteiro e eu achei que foi realizado lindamente.
Há algum tema ou ideia que você gostaria que o público aprendesse, seja um sentimento ou a compreensão dessa situação, pois como você disse, o que a Bella esta passando é muito universal? Sim. Se alguém vir essa história em certo ponto da sua vida, ele poderá ver que essa personagem (embora uma personagem fictícia) sobreviveu a alguma coisa, e não apenas sobreviveu, mas cresceu disso. É assim que são todas as coisas da nossa vida. Até as experiências negativas e dolorosas, todas elas promovem uma oportunidade de aprender e crescer. Você simplesmente não sabe o que alguém levará de um filme, mas com sorte nós forneceremos isso. Eu me lembro de quando eu era uma bailarina e eu precisava me apresentar e eu ficava muito nervosa, e algo aconteceu quando eu vi Flashdance. É bobo, mas eu saí daquele filme pensando ‘what a feeling’* (mas que emoção). Eu saí de lá com confiança.Você não sabe o que alguém levará de um filme, mas você espera que seja algo positivo, mas se não, você quer que eles basicamente sejam entretidos e cativados. Esse é o seu trabalho. Mas você também espera dar a eles algo no que pensar ou talvez uma compreensão da existência humana, você espera um pouco disso. Sem querer sonhar muito alto (risos).
Basicamente, qual é a medida do sucesso para você em um filme como esse? Essa é a sequência de um filme que foi muito que foi muito aclamado pelo público, então obviamente você quer trazer novos telespectadores que não conhecem o material original, mas essa base de fãs é safistafória? O que mais deixa você contente? Sabe, não é. Obviamente os números da bilheteria ditam o seu sucesso, e é incrivelmente satisfatório que o filme seja tão bem recebido. Mas o que é gratificante para mim é que eu estou orgulhosa dele. Eu às vezes fico meio envergonhada, ou fico orgulhosa de colocar o meu nome naquilo, mas eu acho que estou mais orgulhosa desse do que de qualquer coisa que eu já fiz. Essa para mim é a medida do sucesso. É ter o que eu imaginei realizado, e eu realizei isso bem? É uma historia bem sucedida ou teve algumas coisas dignas de vergonha? E desse eu estou realmente orgulhosa.





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